
A ABIFINA participou no dia 15 de setembro do lançamento do relatório “Rupturas e Oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica”, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – CEPAL.
Representaram a entidade Fernanda da Costa, coordenadora de Relações Governamentais, Internacionais e da Cadeia Química; Marina Moreira, coordenadora da Área Sintética – Saúde Humana e Animal; e Bruna Oliveira, analista técnica.
O relatório foi elaborado por uma comissão formada por 13 integrantes de 12 países, após reuniões realizadas em Santiago, Cidade do México e Rio de Janeiro, além de consultas virtuais. O documento analisa as transformações da ordem internacional e apresenta recomendações para converter as atuais rupturas geopolíticas em oportunidades de desenvolvimento.
Entre os temas discutidos estiveram a reconfiguração da globalização, a erosão do multilateralismo, a competição entre potências e o uso das interdependências econômicas como instrumento de poder. O encontro também abordou a necessidade de reduzir vulnerabilidades nas cadeias de suprimentos, diversificar alianças e ampliar a capacidade de ação internacional dos países latino-americanos.
Os participantes destacaram os ativos estratégicos da América Latina e do Caribe, como a capacidade de produção de alimentos, biodiversidade, energia limpa, minerais críticos, estrutura industrial, universidades, centros de pesquisa e mercado regional superior a 660 milhões de pessoas. Segundo os dados apresentados, a região detém 46% das reservas mundiais de lítio, 35% de cobre, 28% de grafite e 23% de terras raras.
As discussões ressaltaram, entretanto, que a disponibilidade desses recursos não garante desenvolvimento por si só. A transformação dos ativos em prosperidade exige políticas de desenvolvimento produtivo, integração de cadeias regionais, investimento em ciência, tecnologia e inovação, agregação de valor e instituições capazes de implementar estratégias de longo prazo.
Também foram debatidas oportunidades em setores como energia e biocombustíveis, minerais críticos, indústria automotiva, máquinas agrícolas, infraestrutura, economia criativa e cadeias de maior conteúdo tecnológico. A integração regional foi apontada como instrumento para ampliar o comércio, reduzir assimetrias e fortalecer a posição da região diante da nova configuração geopolítica.
O evento destacou ainda o papel dos bancos de desenvolvimento no financiamento da transformação produtiva, da infraestrutura e da transição energética, bem como a necessidade de governança colaborativa entre Estado, setor privado, universidades e sociedade civil.
