Inédito, IFA Summit ABIFINA mobiliza cerca de 220 participantes para entenderem o cenário de convergência regulatória internacional

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Com debates sobre regulação, qualidade e gestão de riscos, a ABIFINA realizou, nos dias 7 e 8 de abril, o evento IFA Summit ABIFINA 2026. Com discussões de alto nível técnico, o evento inédito da entidade foi um sucesso, reunindo representantes da indústria, autoridades regulatórias e especialistas em um dos mais importantes espaços de empreendedorismo e inovação do Brasil, a Inovateca, dentro do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Num mundo cada vez mais marcado por incertezas, o Seminário tratou dos desafios e perspectivas para fortalecer a produção de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) no Brasil e a inserção do País nas cadeias globais do setor farmacêutico – dois aspectos estratégicos para o desenvolvimento nacional. A atividade contou com a correalização do Sistema Firjan – Senai Sesi.

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Abertura 

Logo na abertura, o presidente do Conselho Administrativo da ABIFINA, Marcelo Mansur, ressaltou a importância de realizar o evento numa universidade, simbolizando o potencial das parcerias entre academia e indústria, além do alto interesse pelo encontro, que teve cerca de 250 participantes.

Ao avaliar o cenário global, Mansur destacou o momento de crises e rivalidades, no qual os países que dependem de outras nações em áreas estratégicas se tornam mais vulneráveis. É exatamente o caso dos IFAs no Brasil, pois são essenciais para a indústria farmacêutica, mas apenas 5% da demanda brasileira é suprida pela indústria nacional.

Marcelo Mansur ABIFINA IFA SUMMIT 104119 C0

“A solução para isso é ter um complexo industrial da saúde sustentável e capaz de absorver, principalmente, demandas instantâneas quando elas surgem em momentos de ruptura, como foi a Covid-19 e como a gente sabe que haverá outros lá na frente”, afirmou Mansur, defendendo ferramentas regulatórias e econômicas para estimular a produção brasileira de IFAs: “A gente tem que reverter esse quadro com políticas de Estado que alavanquem o investimento na indústria nacional”.

Por sua vez, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, afirmou que as Américas avançaram em capacidade farmacêutica, mas isso se concentra na etapa final de produção, enquanto os IFAs ainda representam uma carência. Ele citou o censo realizado em 2024 pela ABIFINA, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), mostrando que a indústria nacional atende a apenas 5% da demanda brasileira de IFAs.

Nesse sentido, reduzir a dependência externa e expandir a produção local de IFAs são prioridades, mas isso depende também de infraestruturas regulatórias fortes e da ampliação do uso dos padrões internacionalmente reconhecidos de produção, de modo que as empresas locais possam acessar mercados regulados e garantir segurança à sociedade.

Jarbas Barbosa ABIFINA IFA SUMMIT 103645 C0 (1)

“Isso nos leva a uma questão essencial: responder se nossos sistemas regulatórios estão evoluindo na mesma velocidade que nossas ambições de produção. É exatamente essa questão que nos reúne nessa cúpula”, declarou Barbosa.

“Espaço qualificado de debate”

Já o diretor executivo do Sistema Firjan, Alexandre dos Reis, frisou que a produção de IFAs é um objetivo estratégico para o Brasil, focando em autonomia produtiva e soberania tecnológica. Nesse sentido, destacou ainda a relevância da parceria firmada com a ABIFINA, ampliando a convergência entre a indústria e a infraestrutura local de ciência, tecnologia e inovação, o que contribui para uma agenda industrial mais robusta e alinhada aos desafios dos tempos atuais.

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“Ao reunir representantes do governo, da indústria, das agências de fomento, de reguladores, de instituições científicas e de organismos nacionais e internacionais, o IFA Summit se constituiu como um espaço qualificado para debate, articulação e construção de caminhos concretos”, resumiu Reis.

Na sequência, o coordenador de Relações com o Mercado da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Fábio Cavalcante, destacou as ações do setor público para fomentar a indústria nacional, especialmente no segmento de saúde, por meio da Nova Indústria Brasil (NIB). Seja com investimentos ou parcerias, ele ressaltou a importância da participação estatal no apoio à inovação:

Fabio ABIFINA IFA SUMMIT 105821 C1

“Nenhum país que hoje é referência em inovação ou referência na indústria de saúde fez isso sem o Estado chegando junto”, observou Cavalcante.

Autonomia produtiva

Por sua vez, a diretora do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Silvia Santos, ressaltou o papel da instituição em diversos objetivos essenciais para o setor de saúde no País, como a internalização de tecnologias estratégicas, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, fortalecimento da capacidade produtiva nacional e atuação direta na ampliação do acesso a medicamentos essenciais. Com foco nas demandas do Sistema Único de Saúde (SUS), ela frisou a necessidade de abordar a questão dos IFAs nacionais como política de Estado, com a devida continuidade e visão de longo prazo:

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“Discutir IFA é discutir capacidade de resposta ao SUS, é discutir autonomia produtiva e posicionamento do Brasil em cadeias globais de valor”, afirmou Santos.

Em seguida, a superintendente da Área de Saúde e Transformação Digital da Finep, Joana Meirelles, abordou dois aspectos fundamentais para a atuação crescente da instituição no apoio à indústria nacional: o descontingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o que permitirá investir até R$ 30 bilhões neste ano, e o lançamento recente da segunda rodada de editais do Mais Inovação Brasil, que contempla a área de saúde e, em particular, os IFAs. Para estimular novas parcerias e implementar esses investimentos, a participação em eventos como o IFA Summit é essencial:

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“Esses eventos são muito importantes para que a gente esteja fomentando conexões. Elas são fundamentais para superar os desafios que estão colocados em termos de competitividade. A gente só vai conseguir fazer isso através da inovação”, definiu Meirelles.

“Coração da inovação”

Carla Reis, chefe do Departamento do Complexo Industrial e de Serviços da Saúde do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tratou sobre os investimentos da instituição no setor produtivo, incluindo mais de R$ 9 bilhões em recursos para o segmento de saúde desde 2023 no âmbito da NIB. Ela também ressaltou a abertura ao diálogo para atender cada vez melhor às demandas da indústria:

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“Somos parceiros da ABIFINA e do setor produtivo. Estamos à disposição para discutir com vocês o desenvolvimento da indústria de IFAs no Brasil”, declarou Reis.

Por fim, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, recordou o crescimento da indústria de genéricos nas últimas décadas, com ganhos de capacidade produtiva, e frisou que o objetivo central está agora na inovação, conectando os investimentos em pesquisa básica às demandas do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

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“Com as políticas que a gente tem desenvolvido, o desafio é dar passos mais significativos em direção à inovação. Nesse sentido, a indústria do IFA é o coração da inovação do setor farmacêutico”, afirmou a secretária, que também abordou temas como os centros de competência em RNA mensageiro e IFAs derivados da biodiversidade, a regulamentação da pesquisa clínica, a prioridade para IFAs nacionais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a regulação de preços de medicamentos.

Confira a cobertura do segundo dia do IFA Summit ABIFINA 2026:
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Fotos: Humberto Teski

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