Painel final destaca cooperação internacional, fortalecimento da produção nacional de IFAs e caminhos para ampliar a competitividade do Brasil

20270408 ABIFINA IFA SUMMIT 124424 C0
Marcelo Mansur (ABIFINA), Bianca Zimon (Anvisa), Maíra Carneiro (Ministério da Saúde), Monique Collaço (Bio-Manguinhos) e Suelen Navarro (Anvisa) – participação online.

A programação do IFA Summit ABIFINA 2026 se encerrou no dia 8 de abril, no Rio de Janeiro, com o painel “Harmonização internacional e competitividade”. Na abertura do debate, o moderador Marcelo Mansur, diretor presidente da Nortec Química e presidente do Conselho Administrativo da ABIFINA, ressaltou a importância de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelecer cooperação com autoridades congêneres e convergir as práticas nacionais às internacionais na indústria farmacêutica.

Confira:
Inovação na base dos processos produtivos impulsiona a sustentabilidade

Respondendo sob a ótica da Anvisa, Suelen Navarro abordou o mecanismo da confiança regulatória, pelo qual a agência utiliza relatórios técnicos e registros de autoridades sanitárias estrangeiras equivalentes para fundamentar suas decisões. Isso contribui para agilizar o registro de medicamentos e produtos de saúde, mas sem perder a autonomia da Anvisa para avaliar cada caso e tomar as decisões.

Também representando a Anvisa, Bianca Ribeiro falou sobre o movimento de internacionalização da agência. Com participação ativa nos fóruns internacionais e o objetivo de se tornar uma autoridade reguladora de referência mundial, a Anvisa vem avançando no reconhecimento de suas inspeções e decisões por autoridades estrangeiras, o que contribui também para o acesso a novos mercados e, portanto, para a competitividade das empresas brasileiras.

Por sua vez, Maíra Carneiro, do Ministério da Saúde, realizou um panorama dos segmentos farmacêutico e farmoquímico no Brasil nos últimos anos, ressaltando o crescimento da capacidade produtiva, a expansão dos projetos de transferência de tecnologia e o foco atual em inovação, inclusive na produção nacional de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs). Nesse contexto, destacou as parcerias com o setor produtivo nos centros de competências, englobando temas estratégicos como RNA mensageiro, terapias avançadas e biodiversidade.

Finalizando o painel, Monique Collaço, de Bio-Manguinhos/Fiocruz, ressaltou a importância de um projeto amplo de fortalecimento da infraestrutura farmacêutica e farmoquímica nacional, de modo que a indústria possa acompanhar a evolução tecnológica, adotar os melhores padrões e ter seus produtos reconhecidos nos mercados internacionais.

Nesse sentido, pensando no futuro, Collaço citou a relevância da discussão no Congresso Nacional sobre o projeto de lei que define a estratégia nacional de desenvolvimento do complexo de saúde, contemplando aspectos como encomendas tecnológicas, o Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) e as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP).        

Perspectivas até 2030

20270408 ABIFINA IFA SUMMIT 132746 C0
José Ézio (Globe Química), Andrey Freitas (ABIFINA) e Jorge Arbache (CEBC).

Concluindo o evento, a mesa de encerramento abordou os desafios e oportunidades para impulsionar a produção de IFAs no Brasil. Em sua apresentação, Jorge Arbache, do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), realizou um panorama do mundo atual, em que fatores geopolíticos e eventos climáticos extremos estão impactando todos os setores econômicos. Assim como ocorre com os IFAs no segmento de saúde, o especialista citou a dependência de fertilizantes importados como um fator que fragiliza o agronegócio brasileiro. 

Nesse contexto, Arbache ressaltou que as cadeias globais de valor estão mudando e, agora, não consideram apenas os menores custos, mas também a resiliência diante de crises frequentes. Por isso, ele defendeu políticas públicas voltadas à redução de importações em setores estratégicos e que, portanto, diminuam também as vulnerabilidades do País.

Para ampliar a competitividade e a inserção nas cadeias globais de valor, Arbache também mencionou a importância de utilizar, de forma estratégica, os diferenciais do Brasil, como sua rica biodiversidade e a capacidade de gerar energia com baixos custos. 

Por sua vez, o CEO da Globe Química, José Ézio, destacou a importância de ouvir cada vez mais as indústrias farmoquímicas na formulação de políticas públicas, com foco na soberania nacional da produção de IFAs. Para ele, os avanços recentes, como as margens de preferência para produtos nacionais em compras públicas do SUS e a prioridade na análise da Anvisa para medicamentos com IFA nacional, são a demonstração de um futuro que pode ser ainda mais exitoso com o diálogo intensificado entre governo e empresas.

Por fim, o presidente-executivo da ABIFINA, Andrey Freitas, afirmou que o evento alcançou seu objetivo, apresentando informações e argumentos para que a sociedade possa dar seus próximos passos. Segundo ele, com os avanços recentes em linhas de fomento, parcerias e regulação, o desafio agora é trabalhar junto, manter o diálogo vivo e definir indicadores para verificar se o Brasil está no caminho certo para alcançar seus objetivos, garantindo o acesso da população a produtos e serviços de saúde.

Confira a cobertura do primeiro dia do IFA Summit ABIFINA 2026:
Evento discute desafios e perspectivas da produção de IFAs no Brasi

Fotos: Humberto Teski

IFA Summit ABIFINA reúne setor para discutir o futuro da produção de IFAs no Brasil
Anterior

IFA Summit ABIFINA reúne setor para discutir o futuro da produção de IFAs no Brasil

Próxima

Inovação na base dos processos produtivos impulsiona a sustentabilidade

Inovação na base dos processos produtivos impulsiona a sustentabilidade