Fonte: Correio Online
17/12/25

Por Marcela Jansen Publicado às 09:00 em 10/12/25

O alerta sobre a circulação de medicamentos veterinários falsificados no país, incluindo implantes hormonais usados em bovinos, ganhou força após operações de fiscalização apreenderem mais de 200 mil unidades de produtos ilegais em 2024, entre anabolizantes, hormônios de crescimento e medicamentos sem registro. Parte desse material era vendida como “implantes” de uso pecuário, sem comprovação de origem e fora dos padrões aprovados pelo Ministério da Agricultura.

No Acre, o tema volta ao centro da discussão porque o estado aparece em relatórios federais como área de entrada e circulação de produtos veterinários irregulares. Em operações na faixa de fronteira entre 2021 e 2022, equipes do Ministério da Agricultura, Idaf e forças policiais recolheram mais de 1.000 frascos de medicamentos ilegais, incluindo frascos de hormônios proibidos no Brasil. As ações integraram o programa Vigifronteira, criado para bloquear o fluxo de insumos clandestinos em regiões de acesso internacional.

Os números nacionais reforçam a gravidade do problema. A Associação das Indústrias de Insumos Veterinários (Sindan) estima que o mercado ilegal movimenta cerca de 20% de todos os produtos veterinários comercializados no país, o que inclui falsificados, contrabandeados e desviados. Em algumas operações, a Receita Federal apreendeu carregamentos de hormônios anabolizantes destinados à pecuária que não possuem autorização de venda no Brasil.

No nível estadual, episódios recentes confirmam que o Acre convive com vulnerabilidades. Em maio de 2024, a Polícia Civil apreendeu medicamentos veterinários irregulares em uma clínica de Rio Branco que operava sem condições sanitárias e sem comprovação de origem dos produtos. O proprietário foi levado para prestar esclarecimentos e o caso passou a ser tratado como exercício ilegal e suspeita de maus-tratos.

Em agosto de 2025, uma vistoria do Ministério Público ao Centro de Zoonoses de Rio Branco identificou escassez de insumos e medicamentos veterinários, além de estrutura deficiente de atendimento. Embora a situação não envolva falsificação, o relatório demonstra falhas no controle e disponibilidade de produtos, um ambiente que historicamente facilita a busca por alternativas irregulares em diversos estados brasileiros.

A localização do Acre — com fronteiras abertas para Peru e Bolívia — reforça o alerta. Trechos de travessia simples tornam o estado um ponto recorrente de entrada de produtos agropecuários sem fiscalização. Desde 2021, operações nessas rotas já apreenderam toneladas de alimentos, sementes, rações e medicamentos veterinários clandestinos, demonstrando que a circulação irregular é real e não apenas hipotética.

Embora não haja registros de apreensões de implantes hormonais falsificados no Acre, como os detectados em outros estados, os dados disponíveis colocam o território acreano dentro do mapa de risco nacional, com apreensões comprovadas, circulação de produtos ilegais e falhas estruturais reconhecidas por órgãos de fiscalização.

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