Artigo publicado em revista científica internacional compilou 89 substâncias e derivados de chalconas com atividade antiviral descrita na literatura

IVB

Uma revisão científica internacional com participação de pesquisadores do Instituto Vital Brazil (IVB), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) reuniu e analisou dados da literatura sobre a atividade antiviral das chalconas, uma classe de compostos químicos encontrada na natureza e também produzida em laboratório. O trabalho compilou 89 substâncias e derivados de chalconas com atividade antiviral descrita em estudos científicos, incluindo pesquisas relacionadas a vírus de importância médica, como HIV, coronavírus, dengue e influenza.

O estudo foi liderado pelos pesquisadores Leonardo dos Santos Corrêa Amorim (IVB), Vitor Won-Held Rabelo (UFRJ) e Izabel Christina Nunes de Palmer Paixão (UFF) e publicado na revista científica internacional Mini-Reviews in Medicinal Chemistry.

O objetivo da revisão foi organizar informações que estavam dispersas na literatura científica e ampliar a compreensão sobre o potencial antiviral dessa classe de compostos. Para Leonardo, pesquisador da Gerência de Desenvolvimento Tecnológico da Diretoria Científica do IVB, o levantamento contribui para orientar novas investigações.

“A revisão permitiu observar que as chalconas vêm sendo investigadas contra diferentes tipos de vírus. A partir da compilação desses dados, conseguimos compreender melhor o potencial dessa classe de substâncias como um possível ‘esqueleto químico’ para a criação e o desenvolvimento de novos compostos antivirais.”

Pesquisa inédita com imino-chalconas contra o vírus Mayaro
A revisão integra uma linha de pesquisa consolidada da qual o Instituto Vital Brazil participa e que investiga o potencial antiviral de substâncias naturais e sintéticas contra diferentes vírus de importância clínica.

Dentro dessa linha, o grupo de pesquisadores também realizou um estudo experimental inédito com imino-chalconas, uma subclasse desses compostos, contra o vírus Mayaro (MAYV).

O trabalho experimental contou com a participação de pesquisadores do IVB, da UFF e da UFRJ, além da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), responsável pela síntese das moléculas avaliadas nos experimentos.

O vírus Mayaro é um arbovírus relacionado ao Chikungunya e pode provocar febre e dores articulares, que podem persistir em alguns casos.

Nos experimentos realizados em laboratório, os pesquisadores observaram atividade antiviral de derivados de imino-chalconas e identificaram mecanismos associados à ação dessas moléculas, entre eles a inibição da entrada do vírus nas células.

“Esse estudo foi importante porque, até então, não havia relato da atividade das imino-chalconas contra o vírus Mayaro. Os resultados obtidos na bancada também permitiram observar mecanismos de ação, como a capacidade de algumas das moléculas testadas de interferir na entrada do vírus na célula. A revisão, por sua vez, ampliou nossa visão ao reunir evidências de diferentes estudos sobre a atividade antiviral das chalconas”, explica Leonardo.

A integração entre diferentes instituições de pesquisa permite reunir competências complementares, que vão desde a síntese e caracterização de novas moléculas até a investigação de seus efeitos sobre diferentes vírus.

Resultados apontam caminhos para novas pesquisas

Os pesquisadores ressaltam que a identificação de atividade antiviral em estudos de laboratório não significa que as chalconas ou seus derivados já possam ser utilizados como medicamentos.

Os resultados servem como base para novas etapas de investigação. Antes que uma substância possa se tornar um medicamento seguro e eficaz, são necessários estudos de segurança, avaliações farmacocinéticas e outras etapas de desenvolvimento. Posteriormente, caso os resultados sejam favoráveis, são realizados ensaios clínicos em seres humanos.

Para o Instituto Vital Brazil, a participação na pesquisa reforça a importância da colaboração entre instituições públicas de ciência e tecnologia na investigação de novas moléculas e na busca por alternativas para o enfrentamento de doenças virais.

Sobre o Instituto Vital Brazil

O Instituto Vital Brazil é um dos laboratórios oficiais do Brasil, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Fundado em 1919 pelo médico e cientista Vital Brazil Mineiro da Campanha, o Instituto é referência nacional em pesquisa, desenvolvimento e produção de soros hiperimunes contra venenos de animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões. Também atua no desenvolvimento e na produção de medicamentos e outros produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

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