A ABIFINA, representada por Bruna Oliveira, analista da Área Técnica, participou no dia 23 de setembro de reunião voltada à discussão da estruturação e evolução dos trabalhos relacionados às normas de sustentabilidade, ESG, gestão e divulgação de informações, no âmbito dos comitês técnicos da ISO, do Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Durante o encontro, foram debatidas propostas para uma abordagem mais integrada dos diferentes referenciais existentes, buscando evitar sobreposições e, ao mesmo tempo, aproveitar documentos e iniciativas já consolidados, como a PR 2030, IWA, ISO 53001 e ISO 26000, além de referenciais internacionais relacionados à materialidade, indicadores, relato e desempenho ESG.
Entre os principais pontos discutidos, destacam-se:
- Arquitetura dos trabalhos e dos documentos, com a necessidade de definir claramente a interface entre gestão, responsabilidade socioambiental, ESG e divulgação de resultados;
- Materialidade e diagnóstico do contexto organizacional, considerando sua integração ao planejamento e à implementação das práticas de sustentabilidade;
- Indicadores, mensuração, validação e verificação, reforçando a importância de conectar o relato de sustentabilidade à estratégia, aos processos e à gestão das organizações;
- Sustentabilidade financeira, incluindo a possibilidade de abordar a mensuração dos impactos financeiros associados aos riscos de sustentabilidade, investimentos necessários para resiliência, CAPEX/OPEX, cenários e testes de estresse;
- Planos de transição climática e finanças sustentáveis, com destaque para a necessidade de aprofundar a discussão sobre a interface regulatória entre Banco Central e CVM e seus impactos para as organizações;
- Integração com referenciais existentes, buscando construir uma estrutura que possa dialogar com diferentes padrões e frameworks nacionais e internacionais;
- Modelo de maturidade, como forma de reconhecer que as organizações se encontram em diferentes estágios de evolução em sustentabilidade e ESG, evitando uma abordagem meramente binária de “atende/não atende”;
- Inclusão de pequenas e médias empresas, considerando a necessidade de mecanismos proporcionais e progressivos que permitam sua evolução em níveis de maturidade;
- Evolução contínua, com a possibilidade de incorporar uma perspectiva de jornada, melhoria progressiva e desenvolvimento da maturidade das organizações.
Também foram apresentadas propostas de nomenclatura e organização dos subcomitês, incluindo discussões sobre Gestão da Sustentabilidade, Responsabilidade Socioambiental Corporativa e Resultados/Divulgação de Sustentabilidade.
A reunião reforçou a importância de construir uma arquitetura normativa coerente, integrada e compatível com os referenciais já existentes, evitando a criação de estruturas paralelas e ampliando a aplicabilidade das futuras normas às diferentes realidades organizacionais.
As contribuições apresentadas serão consolidadas nas próximas etapas dos trabalhos, que seguem em discussão no âmbito técnico.
