Evento reúne ciência, indústria e governo e aponta caminhos para transformar ativos naturais em soluções estratégicas para a saúde e o desenvolvimento nacional

Inovafito Brasil Summit 15 04 26

Realizado nos dias 14 e 15 de abril, na Casa Firjan, o InovafitoBrasil Summit 2026 consolidou-se como um espaço estratégico de articulação entre ciência, políticas públicas e setor produtivo, reunindo pesquisadores, gestores públicos, agências de fomento, indústria e startups em torno de um objetivo comum: transformar a biodiversidade brasileira em inovação em saúde, com impacto direto no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da bioeconomia nacional.

Logo na abertura, representantes da Sociedade Brasileira de Farmacognosia, Biominas Brasil e Firjan SENAI SESI destacaram o papel da inovação baseada em ativos naturais como vetor de soberania sanitária e desenvolvimento industrial, reforçando a missão do evento de converter o potencial científico do país em soluções concretas para a saúde pública.

Biodiversidade no centro da política industrial da saúde

A primeira mesa-redonda trouxe para o centro do debate o papel da biodiversidade no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). Representantes da Fiocruz, Bahiafarma e do MCTI defenderam maior integração entre proteção ambiental, segurança jurídica, farmacovigilância e capacidade produtiva nacional.

O debate evidenciou que o Brasil já dispõe de ativos estratégicos — científicos, regulatórios e naturais —, mas ainda precisa avançar na articulação entre esses elementos para gerar inovação em escala e impacto real no SUS.

Na sequência, o painel sobre produtos à base de Cannabis abordou avanços científicos, desafios regulatórios e perspectivas de mercado, destacando a necessidade de marcos regulatórios claros e de desenvolvimento tecnológico alinhado às demandas do sistema público de saúde.

Propriedade intelectual e o desafio de transformar conhecimento em inovação

Inovafito Brasil Summit (9) 15 04 26

No período da tarde, a participação da ABIFINA trouxe uma contribuição central ao debate. Ana Claudia Oliveira apresentou uma análise sobre patentes farmacêuticas relacionadas à biodiversidade, destacando gargalos e oportunidades no sistema brasileiro de propriedade intelectual.

A apresentação evidenciou os Monitoramentos de Patentes da ABIFINA, especialmente o MPP Biodiversidade, que reúne informações estratégicas sobre patentes de medicamentos com ativos da biodiversidade, reforçando a importância de transformar conhecimento científico em ativos tecnológicos.

Fomento e o desafio do “vale da morte”

Outro ponto central do primeiro dia foi o debate sobre fomento à inovação, com participação da FINEP e do CNPq. As instituições destacaram estratégias para superar o chamado “vale da morte” — a lacuna entre a pesquisa acadêmica e sua aplicação industrial.

A necessidade de apoio contínuo ao longo de toda a jornada de desenvolvimento tecnológico foi apontada como essencial para garantir que descobertas científicas se convertam em soluções concretas.

Inteligência artificial, regulação e política pública marcam o segundo dia

O segundo dia trouxe para o debate ferramentas emergentes, desafios regulatórios e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à biodiversidade.

Um dos destaques foi o painel sobre inteligência artificial aplicada à descoberta de moléculas, que evidenciou o potencial dessas tecnologias para acelerar o desenvolvimento de novos fármacos. Os especialistas ressaltaram a importância de bases de dados robustas, padronizadas e nacionais, além da integração entre conhecimento científico, tradicional e experimental.

Fitoterápicos e o desafio do acesso

O painel sobre fitoterápicos destacou que o Brasil já construiu uma base regulatória sólida, mas precisa avançar na transformação desse arcabouço em acesso, escala produtiva e impacto no SUS.

Os participantes reforçaram que os fitoterápicos devem ser inseridos em uma agenda estratégica mais ampla, conectada à bioeconomia, à política industrial e ao desenvolvimento do CEIS.

Política nacional e coordenação institucional

Encerrando o evento, o painel sobre a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos reuniu representantes do governo, da indústria, da academia e da ABIFINA.

As discussões convergiram para a necessidade de uma regulação mais moderna e aderente às especificidades do setor, além do fortalecimento da governança e da integração entre os diferentes atores envolvidos.

Presença dos associados e da ABIFINA

O encontro contou com a participação de instituições e empresas que atuam diretamente no desenvolvimento do setor, incluindo associados da ABIFINA, como Farmanguinhos/Fiocruz e o Grupo Centroflora, que contribuíram com diferentes perspectivas ao longo da programação.

A ABIFINA também acompanhou o evento com a presença de colaboradores das áreas técnica e administrativa, reforçando seu compromisso com o acompanhamento das agendas estratégicas relacionadas à biodiversidade, inovação e desenvolvimento da indústria nacional.

Reunião do Comitê de Propriedade Intelectual e Inovação da ABIFINA 
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