Tecnologia treina o sistema imune para impedir que a nicotina chegue ao cérebro, ajudando quem decide parar de fumar a manter o tratamento
O Laboratório Cristália, complexo industrial farmacêutico, farmoquímico e de biotecnologia 100% brasileiro, apresenta resultados iniciais de uma pesquisa inédita no Brasil para o desenvolvimento de uma vacina antitabagismo. O projeto está em fase de Early Discovery, etapa inicial voltada à seleção dos melhores protótipos e à demonstração de eficácia em modelos experimentais, e é conduzido por cientistas do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação da empresa. Diferentemente dos tratamentos disponíveis, que atuam principalmente sobre os sintomas da abstinência, a vacina tem como objetivo estimular o sistema imune a reconhecer e capturar a nicotina ainda na corrente sanguínea, impedindo que ela chegue ao cérebro e produza a sensação de prazer que sustenta o vício.
A dependência química está entre os maiores problemas de saúde pública da atualidade. As drogas alteram a química do cérebro — em especial o chamado sistema de recompensa —, aumentando o desejo de consumir mais e em maiores quantidades. Na ausência da substância, os níveis de neurotransmissores caem e surge a síndrome de abstinência, acompanhada de forte desejo de consumo para restaurar a sensação de prazer. No caso do tabaco, a dependência química ocorre principalmente pela ação da nicotina, substância psicoativa que chega ao cérebro poucos segundos após a inalação.
“A nicotina ativa receptores nicotínicos de acetilcolina no cérebro, favorecendo a liberação de dopamina e ativando o sistema de recompensa, o que gera uma sensação rápida de prazer e reforça o consumo compulsivo. Nossa vacina foi concebida para interromper esse ciclo ao impedir que a nicotina chegue ao cérebro em quantidade suficiente para ativar esse mecanismo”, explica o médico Ogari Pacheco, fundador, presidente do Conselho Diretivo do Laboratório e responsável pela concepção da ideia que gerou o desenvolvimento do projeto.
“O tabaco é um dos piores vícios. Mata aos poucos, em função de diversas doenças graves, como câncer, infarto e AVC, ou mesmo por um conjunto delas. Mas é muito difícil abandonar o hábito e não ter recaídas. Em algum momento, pensei: o corpo humano tem um sistema imunológico perfeito. E se descobríssemos uma maneira de colocar esse sistema imunológico para combater a adicção?”, explica Dr. Pacheco. A partir dessa ideia, em maio de 2024, foi solicitada internamente a criação de uma plataforma antidrogas, voltada a prospectar soluções inovadoras para combater a dependência química e apoiar pacientes na fase de abstinência.
De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco causa cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo, sendo aproximadamente 7 milhões por consumo direto e 1,3 milhão por exposição passiva ao fumo. Cerca de 85% dos pacientes que tentam abandonar o vício sofrem recaídas no primeiro ano de tratamento, e dois terços voltam a usar a substância nas duas primeiras semanas (Fonte: National Institute on Drug Abuse). “É justamente a recaída que a vacina do Cristália pretende prevenir”, explica o fundador e presidente do Conselho Diretivo do Cristália.
Como a vacina antitabagismo funciona
Dr. Ogari Pacheco detalha que o tratamento de diversas doenças já se beneficia do uso do sistema imune do próprio paciente, capaz de reconhecer o que é estranho ao organismo e produzir anticorpos que capturam e eliminam esse invasor. As drogas de abuso também são estranhas ao organismo, mas, por sua estrutura química, passam despercebidas pelo sistema imune.
A vacina em desenvolvimento pelo Cristália resolve esse ponto: a molécula da droga — pequena demais para gerar resposta imunológica sozinha — é acoplada a uma estrutura reconhecida pelo sistema imune. Esse complexo desencadeia a produção de anticorpos neutralizantes capazes de se ligar especificamente à nicotina na corrente sanguínea.
Na prática, quando o paciente vacinado entra em contato com a substância, os anticorpos a capturam ainda no sangue. Assim, a nicotina não consegue chegar ao cérebro e, por não interagir com os receptores nicotínicos de acetilcolina nem desencadear a liberação de dopamina associada ao prazer, não produz o reforço que alimenta a dependência. “É importante frisar que a molécula modificada usada na formulação não tem efeito psicotrópico”, afirma o fundador do Cristália.
Os protótipos e antígenos sintéticos da vacina antinicotina estão sendo produzidos para fins de pesquisa com tecnologia do Cristália. A etapa relacionada ao Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) está sob responsabilidade da planta Farmoquímica Oncológica do Cristália, em Itapira, enquanto a formulação e o envase, por se tratar de uma vacina, deverão ocorrer em uma das unidades farmacêuticas do laboratório, também no complexo industrial de Itapira.
Até o momento, a vacina em desenvolvimento pelo Cristália foi testada apenas em animais. Os antígenos sintéticos produzidos pela Farmoquímica Oncológica mostraram-se eficazes em induzir a geração de anticorpos específicos e, em modelo experimental de desafio, a candidata vacinal antinicotina demonstrou capacidade de impedir a adicção nos animais. Atualmente, também está em andamento um estudo de avaliação da resposta imune gerada pela vacina antinicotina.
O desenvolvimento ainda depende da conclusão de estudos pré-clínicos de eficácia e segurança, desenvolvimento farmacotécnico e analítico, aumento de escala e estudos clínicos em humanos antes de um eventual pedido de registro à Anvisa. O Cristália também está compilando os dados iniciais de estrutura química e eficácia para elaboração do pedido de patente. A publicação científica dos resultados está prevista para ocorrer após o depósito da patente.
“A vacina antitabagismo não substitui o tratamento: ela protege a continuidade dele. Ao neutralizar o efeito prazeroso da nicotina, a tecnologia atua exatamente onde muitos tratamentos falham, ajudando a reduzir o risco de recaída”, finaliza Dr. Pacheco.
Sobre o Centro de PD&I do Cristália
O Centro de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) do Cristália, instalado no Complexo Industrial de Itapira, reúne a coordenação e o planejamento das pesquisas do laboratório. Inaugurado em 2009, o espaço concentra tecnologia, equipamentos e equipes dedicadas ao desenvolvimento de projetos para as áreas farmacêutica, farmoquímica e biotecnológica, com foco em inovações radicais e incrementais que proporcionem ganho terapêutico ao paciente, como maior eficácia, segurança, redução de efeitos colaterais, ampliação do acesso e melhor adesão ao tratamento.
Com essa vocação para pesquisa, desenvolvimento e inovação, o laboratório investe anualmente entre 6% e 8% de sua receita em pesquisa científica e é capaz de lançar cerca de dez a doze novos produtos farmacêuticos por ano, oferecendo qualidade, segurança e bem-estar aos pacientes. Cerca de 40% do portfólio de desenvolvimento do Cristália pode ser considerado inovação com ganho terapêutico. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apenas 7% dos novos registros de medicamentos se enquadram nessa categoria.
Sobre o Cristália:
Fundado há 54 anos, o Laboratório Cristália é um complexo industrial farmacêutico, farmoquímico, biotecnológico e de pesquisa, desenvolvimento e inovação 100% brasileiro. Pioneiro na cadeia completa de um medicamento, possui 131 patentes em nível mundial e sete substâncias de referência reconhecidas pela Farmacopeia Americana. Em anestesia, é líder de mercado na América Latina. Conta com cerca de 6.900 colaboradores e 11 plantas produtivas próprias. Para mais informações acesse: www.cristalia.com.br.
Divulgação Cristália

