Fonte: G1
10/06/26

Foram cumpridos mais de 50 mandados de prisão preventiva e temporária, nesta terça-feira (9). Polícia Federal também investiga crimes como importação ilegal de agrotóxicos. Além das ordens judiciais, há instauração de procedimentos administrativos fiscais em empresas de 12 estados.

Por g1 PR

09/06/2026 09h54 Atualizado 09/06/2026

Nesta terça-feira (9), uma organização criminosa transnacional foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) no Paraná e em outros seis estados.

São investigados crimes como contrabando de cigarros e corrupção de servidores públicos.

O objetivo das ordens judiciais expedidas é de interromper esse fluxo financeiro, tirar o capital dos investigados e preservar bens.

A RPC apurou que três policiais rodoviários federais do Paraná foram presos.

Operação desarticula esquema de organização criminosa transnacional no Paraná

Nesta terça-feira (9), uma organização criminosa transnacional foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) no Paraná e em outros seis estados. São investigados crimes de contrabando de cigarros, importação ilegal de agrotóxicos, falsificação de documentos e placas de veículos, lavagem de dinheiro e corrupção de servidores públicos.

A RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, apurou que três policiais rodoviários federais do estado foram presos durante a operação. O nome deles não foi divulgado, nem a forma como eles agiam no esquema criminoso. Veja o que disse a PRF abaixo.

Até a última atualização dessa reportagem, prisões em outros estados não tinham sido confirmadas.

De acordo com a PF, este grupo criminoso possui uma “estrutura altamente organizada”, que usa empresas de fachada e outros mecanismos de ocultação patrimonial. Também foi solicitada cooperação jurídica internacional para identificar suspeitos em outros países.

O balanço final de apreensões e as identidades dos alvos não foram divulgados até a última atualização desta reportagem.

O objetivo das ordens judiciais expedidas é interromper esse fluxo financeiro, tirar o capital dos investigados e preservar bens que podem ser usados futuramente para ressarcir o Estado.

No Paraná, as medidas judiciais foram cumpridas em Guaíra, Mandirituba, Piraquara, Fazenda Rio Grande, Cascavel, Ubiratã, Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama. Há também alvos em Praia Grande (SP), Canelinha (SC), Imaruí (SC), Não-Me-Toque (RS), Nova Andradina (MS), Maracaju (MS), Mundo Novo (MS), Eldorado (MS), Jandaia (GO) e Belém (PA). Veja quais são as medidas:

44 mandados de prisão preventiva;14 mandados de prisão temporária;62 mandados de busca e apreensão;45 mandados de sequestro e bloqueio de contas bancárias;5 ordens judiciais de cancelamento de CPFs (o documento é considerado inválido, e isso impede abertura de novas contas, por exemplo);7 ordens judiciais de cancelamento de CNPJs.

Além disso, há 67 ordens judiciais para instauração de procedimentos administrativos fiscais em empresas de 12 estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Alagoas e Pernambuco.

Sobre as prisões dos policiais rodoviários no Paraná, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que atua no controle interno, na prevenção e no enfrentamento a desvios de conduta. Leia a nota na íntegra:

“A Polícia Rodoviária Federal (PRF) participou, na manhã desta terça-feira, 9 de junho de 2026, da ação conduzida pela Polícia Federal, no âmbito das Operações Sicarius I e Sicarius II.

O trabalho foi subsidiado por apuração prévia da Corregedoria-Geral da PRF, que, no exercício de suas atribuições correcionais, identificou elementos relacionados a possíveis desvios de conduta de três servidores e os encaminhou às autoridades competentes.

A PRF ressalta que atua de forma permanente no controle interno, na prevenção e no enfrentamento a desvios de conduta, em estrita observância às suas competências legais e em cooperação com os órgãos responsáveis pela persecução penal.”

Movimentação de R$ 375 milhões

A Receita Federal, que participa da operação, informou que o grupo criminoso investigado usa a cidade de Guaíra, no oeste do Paraná e fronteira entre Brasil e Paraguai, para contrabando de cigarros e agrotóxicos.

A partir de apreensões e prisões em flagrante, foi apurado que um doleiro – pessoa que compra e vende moedas estrangeiras de forma ilegal – movimentou mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024, no esquema.

“Segundo as investigações,  investigado controlava contas em nome de pessoas interpostas e de empresas de fachada. Concluiu-se que o doleiro seria figura central nas operações de lavagem de dinheiro da organização criminosa, tendo movimentado apenas em suas contas bancárias pessoais o total bruto de mais de R$ 114 milhões de reais no período”, diz a nota da Receita Federal.

A Receita Federal divulgou que o dinheiro obtido por meio dos cigarros contrabandeados do Paraguai ficava oculto em bens adquiridos e empresas de fachada.

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