O IFA Summit ABIFINA 2026 se revelou uma ação estratégica de alto impacto, tendo superado expectativas tanto pelos mais de 220 participantes quanto pelo alto nível dos debates. Realizado nos dias 7 e 8 de abril, na Inovateca do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o evento inédito abordou os desafios e as perspectivas para fortalecer a produção nacional de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) no Brasil, incluindo temas como regulação, qualidade, harmonização internacional, inovação e sustentabilidade. Participaram representantes da indústria, do governo e especialistas.



Legenda:
1. Marcus Soalheiro (Nortec Química), Gisele Badauy (Instituto Qualitec), Samuel Perret (Apic) – participação online, Kesley Oliveira (Cristália) e Carlos César dos Santos Nogueira (Anvisa).
2. Norberto Prestes (Abiquif), Juliana Megid (EMS), Patrik Gandara (Prati-Donaduzzi) e Soraya Mileti (Farmanguinhos/Fiocruz).
3. Kesley Oliveira, Caroline Oliveira (Spektra), Ajda Berke (Sandoz) – participação online, Nayrton Rocha (Anvisa) e Simão Calvete (Dr. Reddy’s).
O alinhamento internacional de requisitos regulatórios, considerado benéfico por todos os debatedores do evento, foi analisado a partir das dificuldades das empresas para aderirem às exigências. No caso do guia ICH Q7, sobre boas práticas de fabricação de IFAs, os especialistas mostraram como têm tratado a análise de riscos com base nos padrões de inspeção atuais. A lição é que companhias com setores mais robustos de garantia da qualidade conseguem obter melhores resultados no cumprimento dos requisitos de boas práticas.
Da perspectiva do marco regulatório nacional, as empresas expressaram que uma parcela significativa das responsabilidades das farmoquímicas na gestão de riscos foi transferida para as indústrias farmacêuticas, que respondem pelo registro dos produtos. Isso tem exigido o fortalecimento de mecanismos internos de controle, como maior rigor na seleção e qualificação de fornecedores, a exigência de compromisso com o cadastro de IFAs (Carta de Adequação de Dossiê de Insumo Farmacêutico Ativo, Cadifa) e a elaboração de contratos de fornecimento mais criteriosos.
O controle de impurezas e de produtos de degradação segundo os guias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Internacional para Harmonização de Requisitos Técnicos de Produtos Farmacêuticos para Uso Humano (ICH, na sigla em inglês) complementaram a discussão sobre qualidade. O recado foi que as exigências regulatórias podem ser atendidas por meio da entrega de evidências científicas robustas, com otimização dos recursos empregados.
Ao tratar sobre a economia circular na produção de IFAs, a principal mensagem dos debates foi que as empresas devem adotar os princípios da sustentabilidade desde as etapas iniciais do desenvolvimento de produtos até o descarte, além de incorporar essa agenda na cultura organizacional.
Por sua vez, em relação aos desafios para fortalecer a produção nacional de IFAs, as discussões apontaram propostas para ampliar a competitividade da indústria, como o fortalecimento da química de base, o fomento de parcerias produtivas, o desenvolvimento de plataformas para integrar todo o País e o estímulo à formação educacional mais orientada aos negócios, aspectos que dependem de políticas públicas adequadas.
Quanto à harmonização internacional no aspecto regulatório e seu impacto para a competitividade das empresas nacionais, os debates destacaram a cooperação da Anvisa com os órgãos congêneres em outros países. Isso inclui tanto o uso de relatórios técnicos e registros de autoridades sanitárias estrangeiras para fundamentar suas decisões, quanto a participação em fóruns internacionais da temática e o reconhecimento de suas inspeções no exterior.
Sobre os desafios e as oportunidades do cenário global, ficou evidente nas discussões que a redução da dependência externa na produção de IFAs é essencial diante do contexto de instabilidades geopolíticas, crises sanitárias e eventos climáticos extremos. Nesse cenário, os diferenciais do Brasil, como a rica biodiversidade, podem ser a chave para a inserção do País nas cadeias globais de valor. De forma geral, a ideia é que o Brasil deve aprimorar suas políticas públicas e avançar nas parcerias para fortalecer a produção de IFAs, com foco na soberania nacional.
Além dos debates, o IFA Summit promoveu o Innovation Tour, que consistiu em visitas guiadas aos institutos de inovação do Parque Tecnológico Firjan SENAI SESI. Mais de 60 profissionais tiveram a oportunidade de conhecer laboratórios e plataformas tecnológicas dedicadas ao desenvolvimento de bioprocessos e rotas químicas inovadoras, entre outros aspectos.




Legenda:
4. George Cassim (Libbs), Daniel Cardoso (MDIC), Erick Lorenzato (Firjan), Murilo Monteiro (Globe Química) e Sarah Antunes (Diagonal)
5. Fabio Cavalcante (Embrapii), Leandro Novaes (Firjan), Leonardo Teixeira (Firjan), Rodrigo Souza (Novasynth) e Tatiana Ribeiro (Centroflora)
6. Marcelo Mansur (ABIFINA), Bianca Zimon (Anvisa), Maíra Carneiro (Ministério da Saúde), Monique Collaço (Bio-Manguinhos) e Suelen Navarro (Anvisa) – participação online.
7. José Ézio (Globe Química), Andrey Freitas (ABIFINA) e Jorge Arbache (CEBC).

















Visão estratégica
Gestores da área da saúde analisaram, na mesa de abertura,
o que fazer para aumentar a resiliência da cadeia produtiva de IFAs

“A gente deve reverter o quadro atual com políticas de Estado que alavanquem o investimento na indústria nacional”
Marcelo Mansur, ABIFINA

“A gente não vai avançar nessa pauta sem um esforço conjunto do Estado, das agências de financiamento, da indústria, das associações e da comunidade científica”
Joana Meirelles, Finep

“O Rio de Janeiro tem ativos extraordinários para se consolidar cada vez mais como território estratégico para a saúde, a biotecnologia e a indústria de base tecnológica”
Alexandre dos Reis, Firjan

“Precisamos dar passos mais significativos na inovação. Nesse sentido, a indústria de IFA é o coração da inovação farmacêutica”
Fernanda De Negri, Ministério da Saúde

“Discutir IFA é discutir capacidade de resposta ao SUS, autonomia produtiva e posicionamento do Brasil em cadeias globais de valor”
Silvia Santos, Farmanguinhos/Fiocruz

“Precisamos responder se nossos sistemas regulatórios estão evoluindo na mesma velocidade que nossas ambições de produção”
Jarbas Barbosa, OPAS

“Tanto a pandemia quanto as questões geopolíticas atuais deixam cada vez mais evidente a necessidade de ter uma indústria forte, até mesmo pela nossa pretensão de ter um SUS forte”
Carla Reis, BNDES

“Nenhum país que hoje é referência em inovação ou referência na indústria de saúde fez isso sem o Estado chegando junto”
Fábio Cavalcante, Embrapii


