Fonte: Exame
03/06/26
Luiz Anversa
O mercado ilegal no Brasil, que reúne falsificação, contrabando e pirataria, provocou perdas superiores a R$ 514 bilhões em 2025, segundo dados do Anuário da Falsificação 2026, da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
O valor representa um crescimento de 8% em relação ao ano anterior e consolida um novo recorde de prejuízo para empresas e cofres públicos. Em dólar, as perdas chegaram a US$ 102,8 bilhões, alta de 19% no período.
Bebidas, combustíveis e vestuário lideram perdas
Entre os setores mais afetados pela concorrência ilegal, o destaque é o segmento de bebidas alcoólicas, com prejuízo de R$ 89,5 bilhões em 2025.
Na sequência aparecem:
Combustíveis: até R$ 61,5 bilhões
Vestuário: R$ 55 bilhões
Material esportivo: R$ 32 bilhões
Perfumaria: R$ 22,8 bilhões
Medicamentos: R$ 16,8 bilhões
Defensivos agrícolas: R$ 22 bilhões
Esses setores concentram grande parte da atividade ilícita devido à alta demanda e à possibilidade de adulteração ou falsificação pelo crime organizado, segundo a ABCF.
Bilhões na economia paralela
O relatório aponta que organizações criminosas movimentaram cerca de R$ 140 bilhões em esquemas ilícitos ligados ao mercado ilegal.
Somente em 2025, a Polícia Federal apreendeu R$ 9,6 bilhões em ativos ligados a esses grupos.
No setor de tabaco, por exemplo:
30% a 31% dos cigarros consumidos no país são ilegais
A evasão fiscal ultrapassa R$ 11 bilhões por ano
São Paulo concentra maior impacto econômico
O estado de São Paulo lidera o ranking nacional de prejuízos, com R$ 205,6 bilhões, o equivalente a cerca de 40% de todo o mercado ilegal do país.
Na sequência aparecem:
Paraná: R$ 71,96 bilhões
Rio Grande do Sul: R$ 51,4 bilhões
Rio de Janeiro: R$ 35,98 bilhões
Minas Gerais: R$ 30,84 bilhões
Fiscalização aumenta, mas não freia avanço do problema
Em 2025, foram realizadas 1.928 operações de fiscalização contra produtos irregulares, aumento de 12% em relação ao ano anterior.
Entre os principais alvos das ações estão:
Bebidas: 503 operações
Cigarros: 314
Autopeças: 219
Roupas: 128
Medicamentos: 122
Apesar da intensificação, o volume de apreensões ainda é considerado baixo diante da escala do mercado ilegal.
Mercado ilegal de bebidas preocupa autoridades
O setor de bebidas é um dos mais críticos. Estima-se que 36% das bebidas consumidas no Brasil são ilegais. Foram apreendidos 15 milhões de litros em São Paulo em 2025. O número de fábricas clandestinas saltou de 12 em 2020 para 80 em 2024.
O cenário ganhou novos contornos com a crise do metanol, que resultou em 22 mortes confirmadas por intoxicação entre 2025 e 2026.
Medicamentos falsificados e vendas online ampliam riscos
O mercado ilegal de medicamentos movimenta R$ 16,8 bilhões por ano no Brasil e já representa cerca de 20% do setor.
As comercializações de canetas emagrecedoras pela internet aumentaram 358%, movimentando cerca de R$ 2,8 bilhões. Esse ambiente também ampliou a exposição a fraudes, com aumento de 14% nos golpes envolvendo esses produtos em 2025. As apreensões saltaram desse tipo de produto saltaram de 609 unidades (2024) para 60.787 (2025)