Fonte: Poder 360
20/08/26

No Dia Nacional do Campo Limpo, comemorado em 18 de agosto, o sistema apresentou resultados que mostram a consolidação de um dos principais modelos brasileiros de logística reversa no agronegócio.

Desde o início da operação, em 2002, mais de 902 mil toneladas de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas receberam destinação ambientalmente adequada, volume que equivale, em peso, a aproximadamente 60.000 caminhões de 15 toneladas cada.

Atualmente, a operação está presente em 25 Estados e no Distrito Federal, com uma rede de 424 unidades de recebimento.

O desempenho mais recente também aponta para ganhos de escala. Em 2025, foram destinadas corretamente 75.996 toneladas de embalagens, recorde anual e um crescimento de 11% em relação a 2024. Mesmo com o aumento do volume processado, o gasto operacional por kg destinado caiu 5%, indicando avanço na eficiência do sistema.

Outro indicador importante está relacionado ao modelo de financiamento. A participação das contribuições de empresas fabricantes no custeio da operação caiu de 34% para 30%. Atualmente, cerca de 70% dos custos são cobertos por receitas do próprio Sistema Campo Limpo, reduzindo gradualmente a dependência de aportes diretos das empresas associadas.

O modelo é baseado na chamada responsabilidade compartilhada, que envolve agricultores, canais de distribuição, indústria e poder público na destinação adequada das embalagens. O objetivo é assegurar que os materiais retornem ao sistema produtivo ou recebam tratamento ambientalmente adequado, evitando seu descarte irregular.

CIRCULARIDADE

A dimensão ambiental também aparece nos resultados. No ano passado, 92% das embalagens recebidas foram recicladas, reforçando a estratégia de transformar resíduos em matéria-prima para novos produtos.

O inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), responsável pela gestão do Sistema Campo Limpo, também conquistou o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, depois de auditoria independente do seu inventário de emissões de gases de efeito estufa.

No front da circularidade, um estudo da Fundação Eco+ mostra que a produção de uma embalagem ecoplástica de 20 litros evita a emissão de 1,49 kg de CO? equivalente. O dado ilustra como a recuperação das embalagens pode ir além da destinação de resíduos e contribuir para a redução de emissões associadas à produção de novos materiais.

EXPANSÃO

Depois de mais de duas décadas de operação, o desafio agora é ampliar a capilaridade do sistema para acompanhar o crescimento e a transformação do agronegócio brasileiro.

Em 2026, o Sistema ampliou sua presença com novas centrais em Tocantins, Goiás e Mato Grosso, além da abertura de postos em diferentes regiões do país. A estratégia busca aproximar a estrutura de logística reversa dos produtores rurais e aumentar a eficiência da coleta.

“Os resultados mostram um sistema que continua ganhando escala e, ao mesmo tempo, avançando em eficiência. Esse desempenho é fruto de um modelo que amadureceu ao longo de mais de duas décadas, sustentado pela responsabilidade compartilhada e pela atuação coordenada de todos os elos”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do Inpev.

Segundo ele, a expansão exige investimentos, planejamento e articulação com parceiros locais e com o poder público. “Agora, o desafio é aprofundar esse movimento”, diz.

Para Okamura, o próximo passo é combinar a ampliação da infraestrutura com ganhos de eficiência econômica e ambiental. “Seguimos avançando em circularidade e eficiência econômica, fortalecendo um modelo cada vez mais sustentável e preparado para o futuro”, afirma.

A logística reversa de embalagens agrícolas é, de forma simples, o sistema criado para assegurar que embalagens de produtos usados na agricultura, especialmente defensivos agrícolas, não sejam descartadas no lixo comum, enterradas, queimadas ou abandonadas no campo.

Como funciona?

O processo envolve diferentes participantes da cadeia agrícola:

O agricultor utiliza o produto – depois de aplicar o defensivo, a embalagem fica vazia. Ela deve ser preparada de acordo com as regras de segurança -incluindo a lavagem adequada das embalagens que permitem esse procedimento;

A embalagem é devolvida – o produtor leva as embalagens vazias para um posto ou unidade de recebimento indicada pelo sistema de logística reversa;

As embalagens são separadas e encaminhadas – as unidades recebem, classificam e encaminham os materiais para o destino adequado;

O material é reciclado ou recebe outra destinação ambientalmente adequada.

A maior parte das embalagens de plástico pode ser transformada em matéria-prima para a fabricação de novos produtos. O que não pode ser reciclado recebe tratamento e destinação apropriados.

O principal benefício é evitar que resíduos potencialmente contaminantes cheguem ao solo, à água ou sejam queimados de maneira inadequada.

A logística reversa também reduz a necessidade de produzir plástico novo. Quando uma embalagem usada é transformada em matéria-prima para outro produto, parte dos recursos naturais e da energia necessários para fabricar plástico virgem pode ser poupada.

Por isso, o conceito vai além de simplesmente “dar um destino ao lixo”. Trata-se de colocar o resíduo novamente em um ciclo produtivo, dentro dos princípios da economia circular.

No caso brasileiro, o Sistema Campo Limpo é um exemplo de grande escala desse modelo. Ele organiza a participação de agricultores, distribuidores, fabricantes e poder público para que as embalagens tenham uma destinação ambientalmente adequada.

Em resumo: logística reversa é fazer o caminho de volta. Em vez de a embalagem sair da indústria, chegar ao produtor e terminar no meio ambiente, ela volta para o sistema produtivo, reduzindo riscos ambientais e aproveitando materiais que ainda têm valor econômico.

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