ABIFINA colaborou com a iniciativa do IDQ e, durante o lançamento, defendeu políticas integradas e de longo prazo para o desenvolvimento do setor

A ABIFINA participou, nesta segunda-feira (31), em São Paulo, do lançamento do estudo “Panorama do Complexo Químico Brasileiro e Agenda Estratégica”, promovido pelo Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química (IDQ). A Associação, que integra o Instituto e colaborou com a iniciativa, esteve entre as entidades que contribuíram para o debate sobre os desafios e caminhos para o fortalecimento da indústria química brasileira.
O estudo apresenta um diagnóstico dos principais gargalos estruturais do setor e propõe uma agenda de medidas para ampliar a competitividade, a capacidade produtiva, os investimentos e a inovação. Entre os dados apresentados, chama atenção a queda da participação da produção nacional no consumo aparente doméstico, de 80%, em 2005, para 63%, em 2023, acompanhada pelo avanço das importações e por um déficit comercial setorial superior a US$ 40 bilhões anuais.
Elaborado pela LCA Consultoria Econômica, com apoio da Macrotempo, o estudo foi apresentado pelo professor Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES, que destacou a necessidade de transformar vantagens brasileiras — como reservas de gás natural, matriz elétrica de baixa emissão, biomassa, biodiversidade e amplo mercado consumidor — em maior competitividade, por meio da articulação entre as políticas industrial, energética, de crédito e regulatória.
A ABIFINA foi representada no painel de debates pelo presidente-executivo, Andrey Vilas Boas de Freitas, ao lado de representantes das demais entidades que integram o IDQ. Moderado pelo cientista político Leonardo Barreto, o painel discutiu os diagnósticos apresentados a partir da perspectiva dos diferentes segmentos da indústria química e os desafios e oportunidades considerados prioritários para a construção da Agenda Estratégica.
Em sua participação, Andrey chamou atenção para a necessidade de o Brasil recuperar uma visão de desenvolvimento de longo prazo e superar a fragmentação das políticas públicas. Para ele, o fortalecimento da indústria exige maior articulação entre os diferentes elos das cadeias produtivas e políticas capazes de tratar de forma integrada questões como energia, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento tecnológico.
“Se você não tem objetivos transversais, é muito difícil construir uma economia, pensando em termos macroeconômicos, robusta, sólida e duradoura. A gente precisa pensar políticas públicas sistêmicas”, afirmou.
Ao abordar especificamente os segmentos representados pela ABIFINA, Andrey destacou os avanços alcançados pela indústria farmacêutica brasileira nas últimas décadas, mas alertou para a elevada dependência externa de insumos farmacêuticos e das matérias-primas necessárias à sua produção. Segundo ele, fortalecer os elos anteriores da cadeia é essencial não apenas para o desenvolvimento econômico e tecnológico, mas também para garantir o acesso da população a medicamentos e ampliar a capacidade do país de responder às suas necessidades sanitárias.
“A cadeia de medicamentos é uma cadeia super sensível, super estratégica. A gente tem a ponta dela muito bem resolvida, mas temos problemas em relação aos elos anteriores. Se não resolvermos esses elos, corremos o risco de, em algum momento, ter questões de acesso muito graves”, ressaltou.
A Agenda Estratégica apresentada pelo IDQ contempla medidas como o aumento da oferta e da destinação de gás natural para uso petroquímico, o fortalecimento do suprimento doméstico de nafta, a expansão da produção de fertilizantes e Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), a melhoria e harmonização do ambiente regulatório, a redução dos custos de energia e logística, a isonomia tributária e o fortalecimento da governança institucional.
As estimativas do estudo dimensionam o impacto potencial dessa agenda. A recuperação da participação da indústria nacional no atendimento à demanda doméstica poderia adicionar R$ 161 bilhões ao PIB até 2036, gerar R$ 55 bilhões em massa salarial e 1,5 milhão de empregos, além de incrementar em R$ 38 bilhões a arrecadação tributária.
Para Andrey, alcançar uma mudança estrutural dessa natureza exige planejamento e continuidade para além dos ciclos de governo. “O importante é avançar ao longo dos próximos 10, 15 anos — e tem que pensar nesse tipo de horizonte, não é no próximo governo — para uma situação diferente da que a gente tem hoje. Criar políticas de incentivo que possam, de fato, levar a que o investimento privado modifique a situação atual”, afirmou.
Fernanda Costa, coordenadora de Relações Governamentais, Internacionais e Cadeia Química da ABIFINA, também acompanhou o evento.
O estudo e o manifesto estão disponíveis nos links a seguir:
Panorama do Complexo Químico Brasileiro e Agenda Estratégica
