
Promovido pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) e realizado no dia 2 de junho, na Escola Superior do Instituto Butantan, em São Paulo, o Simpósio Vacinas & Vacinação Pela Saúde Universal reuniu especialistas, pesquisadores, gestores públicos e representantes da indústria para discutir o papel estratégico das vacinas na promoção da saúde global. O evento foi alinhado aos objetivos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Saúde de 2026 e teve como foco o fortalecimento da vacinação como instrumento essencial para a prevenção de doenças, a ampliação da expectativa de vida e a construção de sistemas de saúde mais resilientes.
A abertura foi conduzida pelo Acadêmico da ACFB, Lauro Moretto, que ressaltou a importância da integração entre ciência, inovação, indústria e políticas públicas para ampliar o acesso à imunização e enfrentar os desafios sanitários contemporâneos.
Dra. Lely Stella Guzman Barrera, Assessora Internacional de Imunização e Coordenadora da Iniciativa de Imunização (CIM) na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), falou sobre o fortalecimento de iniciativas com visão ampla sobre “Uma Saúde”, comentando sobre a necessidade de um fortalecimento de uma abordagem integral para lidar com ameaças a saúde.
A programação científica teve início com a conferência do Dr. Carmino Antonio de Souza, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan, que apresentou uma visão histórica da evolução das vacinas e seu impacto na saúde pública mundial, destacando sua contribuição para a redução da mortalidade.
Na sequência, o Dr. Esper Georges Kallás, diretor técnico do Instituto Butantan, abordou a epidemiologia da dengue, com o pico em 2024 e os avanços científicos e tecnológicos relacionados ao desenvolvimento da vacina contra a dengue, ressaltando o papel do Brasil na P&D de imunizantes. O Butantan trouxe o licenciamento de uma vacina norte-americana desenvolvida por Steve Whitehead, contendo 4 sorotipos. O Butantan desenvolveu o processo de liofilização, posteriormente, patenteada. A ACFB entregou o prêmio ao Butantan e a medalha de mérito ao Dr. Esper Kallás.
O tema da resistência aos antimicrobianos foi tratado pelo Prof. Thiago Mares Guia, vice-presidente executivo da Bionovis e fundador da Cell Protect, que destacou a vacinação como uma ferramenta estratégica para reduzir infecções, diminuir o uso inadequado de antibióticos e contribuir para o enfrentamento de uma das maiores ameaças globais à saúde pública. Segundo Thiago, os antibióticos são reativos, enquanto as vacinas são ativas e conseguem eliminar de forma mais eficaz as infecções. Thiago encerrou sua fala falando sobre as PDPs e os novos projetos da Bionovis.
Dr. Eder Gatti Fernandes, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) discutiu os desafios da hesitação vacinal no Brasil, enfatizando a necessidade de fortalecer a comunicação científica. O Brasil disponibiliza um número grande de imunobiológicos no SUS, o que exige um orçamento cada vez maior. Uma ação urgente é combater a desinformação para aumentar a confiança da sociedade nos programas de imunização.
O evento também contou com apresentações especiais voltadas para inovação tecnológica e desafios da cadeia produtiva. Representantes da Stevanato Group (Daniela da Costa Teixeira e Rafael Lamounier) abordaram soluções para processos de envase e inspeção visual de vacinas, tais como serviços analíticos, dispositivos de entrega de medicamentos e equipamentos. Jayme Fagundes, da Schott Pharma, apresentou tecnologias para acondicionamento e administração de medicamentos biológicos parenterais. Complementando essa visão, Jauri Siqueira, representando a Abrafarma, destacou o papel crescente das farmácias na ampliação do acesso à vacinação e na capilarização dos serviços de imunização.
O simpósio foi encerrado com homenagens e a outorga da Medalha Mérito em Ciências Farmacêuticas, reconhecendo contribuições relevantes para o desenvolvimento da ciência farmacêutica no Brasil.

