A B I F I N A
Inovação, chave da competitividade 

Nelson Pereira dos Reisé*

No Brasil, é consenso na classe empresarial que a inovação é um dos fatores cruciais para a competitividade frente aos crescentes desafios mundiais.

Apesar dessa postura, recente relatório produzido pela escola mundial de negócios Insead mostrou que, em 2010, o País infelizmente despencou da 50ª para a 68ª posição no ranking mundial de inovação.

O ranking classifica as economias da Islândia, Suécia e Hong Kong como as três mais inovadoras do mundo.

Dentre os países latino-americanos, o Brasil ficou apenas no sétimo posto, perdendo para nações como Costa Rica, Chile e Uruguai nesse ranking de inovação.

No ano passado, o Brasil era o 3º mais bem classificado na região.

No grupo dos quatro BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o País foi o que registrou o pior resultado neste ano.

Apesar desta constatação, o relatório traz perspectivas positivas para o Brasil, no qual é tratado como uma história de sucesso da América Latina que, em meados de 2014, deverá se tornar a quinta maior economia do mundo, ultrapassando a Grã-Bretanha e a França.

Essa situação acontece em função do reconhecido pioneirismo do País em pontos como a exploração de petróleo em águas profundas, a fabricação de aeronaves com tecnologia de ponta (Embraer) e por adotar estratégias de negócios orientadas para a inovação.

O Brasil dispõe de uma economia plural e de diversas riquezas naturais.

A questão do petróleo, a liderança mundial na eficiência produtiva do etanol, o potencial de geração de energia de hidroelétricas, biomassa e outros, nos dão destaque mundial na geração de energia.

Contamos, também, com um parque industrial representativo e com crescentes investimentos em tecnologia e inovação.

A nanotecnologia, por exemplo, ciência considerada por especialistas a 5ª Revolução Industrial, já é uma realidade no Brasil.

Assim como os produtos voltados à sustentabilidade, como as resinas produzidas com fontes renováveis e outros até biodegradáveis, colocam o Brasil à frente no cenário internacional desses setores.

Além disso, dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que a atual taxa de empreendedorismo do País é hoje de 15,3% e que poderá crescer em função da inovação.

A pesquisa GEM 2009 [Global Entrepreneurship Monitor, ou monitor global do empreendedorismo, numa tradução livre - nota do editor], apresentada pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), e que mede o nível de empreendedorismo em 54 países, mostra que, no Brasil, 83,5% dos empreendedores iniciais não pensam em inovar, frente a 5,4% dos que acreditam que seus produtos ou serviços são considerados novos por todos.

Diante deste cenário, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Senai (Serviço Nacional da Indústria) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas lançaram um manifesto pela melhoria da qualidade e do acesso à educação universitária e também por maior apoio ao sistema de inovação nas empresas.

Além disso, conclamaram o setor privado a colocar a inovação, principalmente de produtos e processos de menor impacto ambiental, como foco de suas estratégias.

O Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim) também faz a sua parte em relação a esse tema a cada dia mais relevante.

Nosso esforço está em orientar e preparar o pequeno e o médio empresário para a adequação de suas atividades às questões ambientais e às exigências da sociedade, que devem ser assimiladas como parte da estratégia de negócios, não como uma obrigação de rotina.

E essa adequação passa obrigatoriamente pelos investimentos em desenvolvimento e também em inovação.

Exemplo desse esforço é o Programa "PreparAr", elaborado em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Esse programa é voltado especificamente para atender as médias e pequenas empresas de nossa cadeia produtiva, em questões ligadas à qualificação da gestão no campo da segurança, da saúde, da qualidade e do meio ambiente.

Vamos trabalhar para que o "PreparAr" contribua com as pequenas e médias empresas no sentido de capacitá-las para atuar no mercado global.

Foi assim que foi feito com a questão do regulamento conhecido pelo nome de REACH (sigla formada pelas iniciais das palavras em inglês que significam Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de substâncias químicas), implantado em junho de 2007, e que determina que todas as substâncias químicas produzidas ou importadas pela União Europeia devem ser registradas previamente.

Foi dada orientação para as empresas de nossa cadeia produtiva sobre as principais dúvidas relacionadas às exportações brasileiras de nossos produtos para essa região.

Atuamos de maneira constante no fomento à inovação e à melhoria continuada de processos, produtos e desenvolvimento pessoal nas indústrias de nosso setor.

Adotamos essa postura porque se trata de uma indústria que faz indústria, participando com alto grau de responsabilidade de diversos setores que compõem a economia.

Acreditamos que este é o caminho para contribuirmos com o incremento do mercado interno e para que o Brasil se firme cada vez mais como referência mundial em desenvolvimento e sustentabilidade.

*O autor é presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim), presidente executivo da Abiquim e diretor de Meio Ambiente da Fiesp

Fonte: DCI